Nossa Copa inesquecível

"É tetra", do Galvão ainda ecoa
Tatiana Furtado
Nascida em agosto de 82, minha visão uterina não permitiu assistir à grande seleção de Telê Santana. Nem mesmo a eliminação para a Itália de Paolo Rossi. Se bem que dei meus chutes de revolta naquele 5 de julho e tentei sair antes para extravasar a raiva. Tiveram que me acalmar. Exatamente um mês e meio depois, cheguei com os ânimos mais serenos já em todo o país. Claro que não me lembro de nada disso. Mas essa poderia ter sido a minha copa inesquecível. Talvez seja no meu inconsciente.
Mas o que a minha memória me permite lembrar só mesmo quase 12 anos depois. A Copa de 94 não é inesquecível apenas pelo fato de o Brasil ter sido tetra. Faz parte de todo um contexto. Para quem gosta de futebol, o período da pré e da adolescência é o auge. Os neurônios guardam informações absurdas, como com que perna o Romário bateu pênalti no jogo contra o Olaria, pelo Carioca. É nessa época em que o colégio é a nossa segunda casa. Quando o time perde um clássico, já sofremos por antecipação no domingo à noite: a gozação é insuportável na segunda-feira.
No meio disso tudo que chegou o Mundial dos Estados Unidos. A oportunidade de ver todos os craques mundiais, num tempo em que TV por assinatura era algo impensável. Italiano e Espanhol só na Band, com narração de Silvio Luís. De colecionar os cards das seleções e suspirar por Raí e Maldini com as amigas. Com os amigos, poder falar do Maradona, de quem tínhamos poucas lembranças de 90, só mesmo o passe para o gol do Cannigia, e ouvíamos falar do gol de mão em 86, por nossos pais.
Daí vem cada detalhe. Desde o meio-campo do Brasil que dava sono à torcida pela Romênia, de Haggi. A lembrança da primeira fase: 2 a 0 na Rússia, 3 a 0 em Camarões, e 1 a 1 com a Suécia. Estados Unidos com gol de Bebeto e cotovelada de Leonardo; Holanda com a bomba de Branco e o embala neném de Romário; Suécia e a cabeçada salvadora do baixinho. E a final contra a Itália. Nervosismo do início ao fim e falta de coragem para ver os pênaltis. Mas fui obrigada a ver a cobrança do Baggio. E como esquecer os gritos de Galvão Bueno, é tetra, é tetra...
Os pacotinhos da Elma Chips
Rodrigo Stafford
Já eu tenho minhas primeiras lembranças futebolísticas em 1986. Com quatro anos, a bola me chamava menos atenção do que o ratinho, que era mascote da Copa do México, Não, vi, vivi ou sofri a eliminação para a França.
Quatro anos depois, também não sofri a linda jogada de Maradona, o gol de Caniggia e a eliminação do Brasil. Mas, em 1990, comecei a criar um ídolo no futebol internacional, mas um tanto quanto controverso. Era um goleiro, o antiherói de uma partida de futebol. E para completar argentino. Será que eu corri o risco de ser expatriado? Por sorte, minha família não curte tanto o futebol, quanto eu e pude curtir sair ileso e assistir às defesas voadoras e, principalmente, os pênaltis defendidos por Sergio Goycochea.
Em 94, quase um homem formado no âmito futebolístico, já me dizia entendido e vi grandes craques desfilando seu talento por campos americanos. Mais que o cabelo, me chamava a atenção o futebol elegante de Valderrama, a objetividade de Stoichkov, os lançamentos de Hagi e a categoria de Bergkamp. Admito que a seleção de Parreira não me enchia os olhos e, talvez até por isso, meu desencanto com a seleção brasileira dure até os dias de hoje. Me irritava o domínio (ou melhor, a falta dele) de bola de Dunga, o perdido Mauro Silva, que quando tinha a bola mais parecia a coitada da Alice, perdida em seu País das Maravilhas. Os bons Mazinho e Zinho escravizados a um sistema e cumprindo funçoes burocráticas como um funcionário público.
No entanto, este time de 94 não era feito apenas de tristezas. Bebeto e Romário formaram a maior dupla de ataque que eu já vi jogar. Isso sem falar em Taffarel, o maior goleiro da história da seleção, sempre discreto e presente quando solicitado. Como não lembrar a classe do lorde Jorginho, que pela direita mostrava mais classe do que qualquer sir da rainha. Seus cruzamentos perfeitos fizeram até o davideano Romário vencer os golianicos zagueiros suecos.
Ah! Como não lembrar as figurinhas dentro dos pacotes de salgadinhos Elma Chips, com as bandeiras dos países da Copa. isso, sem falar do álbum da Copa do Mundo, que tenho até hoje, que nos obrigava a usar e abusar da cola para que nossas figurinhas se eternizassem nas nossas lembranças.
Mas o que a minha memória me permite lembrar só mesmo quase 12 anos depois. A Copa de 94 não é inesquecível apenas pelo fato de o Brasil ter sido tetra. Faz parte de todo um contexto. Para quem gosta de futebol, o período da pré e da adolescência é o auge. Os neurônios guardam informações absurdas, como com que perna o Romário bateu pênalti no jogo contra o Olaria, pelo Carioca. É nessa época em que o colégio é a nossa segunda casa. Quando o time perde um clássico, já sofremos por antecipação no domingo à noite: a gozação é insuportável na segunda-feira.
No meio disso tudo que chegou o Mundial dos Estados Unidos. A oportunidade de ver todos os craques mundiais, num tempo em que TV por assinatura era algo impensável. Italiano e Espanhol só na Band, com narração de Silvio Luís. De colecionar os cards das seleções e suspirar por Raí e Maldini com as amigas. Com os amigos, poder falar do Maradona, de quem tínhamos poucas lembranças de 90, só mesmo o passe para o gol do Cannigia, e ouvíamos falar do gol de mão em 86, por nossos pais.
Daí vem cada detalhe. Desde o meio-campo do Brasil que dava sono à torcida pela Romênia, de Haggi. A lembrança da primeira fase: 2 a 0 na Rússia, 3 a 0 em Camarões, e 1 a 1 com a Suécia. Estados Unidos com gol de Bebeto e cotovelada de Leonardo; Holanda com a bomba de Branco e o embala neném de Romário; Suécia e a cabeçada salvadora do baixinho. E a final contra a Itália. Nervosismo do início ao fim e falta de coragem para ver os pênaltis. Mas fui obrigada a ver a cobrança do Baggio. E como esquecer os gritos de Galvão Bueno, é tetra, é tetra...
Os pacotinhos da Elma Chips
Rodrigo Stafford
Já eu tenho minhas primeiras lembranças futebolísticas em 1986. Com quatro anos, a bola me chamava menos atenção do que o ratinho, que era mascote da Copa do México, Não, vi, vivi ou sofri a eliminação para a França.
Quatro anos depois, também não sofri a linda jogada de Maradona, o gol de Caniggia e a eliminação do Brasil. Mas, em 1990, comecei a criar um ídolo no futebol internacional, mas um tanto quanto controverso. Era um goleiro, o antiherói de uma partida de futebol. E para completar argentino. Será que eu corri o risco de ser expatriado? Por sorte, minha família não curte tanto o futebol, quanto eu e pude curtir sair ileso e assistir às defesas voadoras e, principalmente, os pênaltis defendidos por Sergio Goycochea.
Em 94, quase um homem formado no âmito futebolístico, já me dizia entendido e vi grandes craques desfilando seu talento por campos americanos. Mais que o cabelo, me chamava a atenção o futebol elegante de Valderrama, a objetividade de Stoichkov, os lançamentos de Hagi e a categoria de Bergkamp. Admito que a seleção de Parreira não me enchia os olhos e, talvez até por isso, meu desencanto com a seleção brasileira dure até os dias de hoje. Me irritava o domínio (ou melhor, a falta dele) de bola de Dunga, o perdido Mauro Silva, que quando tinha a bola mais parecia a coitada da Alice, perdida em seu País das Maravilhas. Os bons Mazinho e Zinho escravizados a um sistema e cumprindo funçoes burocráticas como um funcionário público.
No entanto, este time de 94 não era feito apenas de tristezas. Bebeto e Romário formaram a maior dupla de ataque que eu já vi jogar. Isso sem falar em Taffarel, o maior goleiro da história da seleção, sempre discreto e presente quando solicitado. Como não lembrar a classe do lorde Jorginho, que pela direita mostrava mais classe do que qualquer sir da rainha. Seus cruzamentos perfeitos fizeram até o davideano Romário vencer os golianicos zagueiros suecos.
Ah! Como não lembrar as figurinhas dentro dos pacotes de salgadinhos Elma Chips, com as bandeiras dos países da Copa. isso, sem falar do álbum da Copa do Mundo, que tenho até hoje, que nos obrigava a usar e abusar da cola para que nossas figurinhas se eternizassem nas nossas lembranças.
5 comentários:
Tenho a mesma idade que vocês, entao por mais que lembre ter colecionado as figurinhas elma chips da copa de 90 (lembro que a minha favorita era dos Emirados Arabes Unidos, mas minhas noçoes de geografia da 2a serie nao me permitiam saber onde se localizava isso... no ano seguinte, durante a guerra do Iraque, descobri que era perto...), a copa que tenho mais lembranças é de 94. Cresci esperando o tetra, só se falava do tetra, entao foi otimo sair pelas ruas gritando "Tetracampeao". Como esquecer o gol de falta do Branco contra a Holanda, Bebeto embalando seu recem nascido na comemoracao de um gol, Rrrrromario (sim, antes do rrrrronaldo). De 98, nunca vou esquecer a raiva da eliminacao final para a França, e 2002 eu estava muito ocupada dormindo durante a maioria dos jogos... 2006 nem vale mencionar :S
3 de junho de 2010 às 12:26Óbvio que a minha Copa inesquecível também é a de 94, a primeira que acompanhei. Eu, que nunca fui muito ligada em futebol, curtia mesmo era a farra, todo mundo parar porque era hora do jogo... Bom demais ver sua seleção ser campeã logo de cara! É incrível como me lembro de detalhes de alguns jogos, logo eu que tenho uma memória péssima. O lado ruim foi que cresci mal acostumada, achando que teríamos que ganhar sempre :)
3 de junho de 2010 às 14:19Não concordo que a Giselle não seja ligada em futebol. Já a vi fechando com maestria uma partida do Botafogo.
3 de junho de 2010 às 17:38na condição de quase balzaquiana, minha copa tb é a de 94, claro.
3 de junho de 2010 às 23:02assistia à copa no play do prédio, junto com os vizinhos e amiguinhos da rua. a gente tinha umas superstições: pegávamos um objeto que era símbolo dos país que jogava contra o brasil e colocávamos em cima da tv. por algum motivo, dava sorte. só lembro que contra a holanda foi uma laranja e, contra a itália, um pacote de macarrão. este, aliás, ficou destroçado na hora dos pênaltis, chutado e socado por todo mundo ajoelhado no chão e já chorando! hahaha, foi incrível aquele dia, um dos mais legais da história.
A Minha Copa inesquecível é a de 94. Pelo que representou, por entender mais de futebol naquela época, por quase ter morrido (literalmente), na prorrogação... É, sufoqui, fiquei rôxa e, de repente, comecei a chorar compulsivamente. Aí, não morri... rs
10 de junho de 2010 às 23:24Enfim, fui para a rua festejar e, no dia em que chegaram ao Brasil, esperar pelos jogadores na praia... Ah, eu passei a madrugada na praia de Ipanema, onde eles passaram exaustos lá pelas 6h... Dormi naquele canteiro q divide as pistas, enrolada numa faixa emprovisada de agradecimento aos Campeões. Foi sensacional! Pulamos, eu, Carol e Dani, na frente do carro de bombeiros onde estava o Leonardo, que fez o "Embala-neném" pra gente, respondendo ao nosso para ele... Foi sensacional!
Apesar de ter certeza de que a Copa de 94 foi a minha inesquecível, não posso deixar de mencionar que passei a entender o significado de uma Copa em 1982... Todos na minha casa choraram muito. O Zico chorou e isso, para Flamenguistas Apaixonados como nós, mais precisamente na época, meu Pai e meu Irmão parecia doer como ver um ente querido ferido... Me lembro onde estava exatamente e quanta tristeza aquilo gerou... Mas, prefiro lembrar de FELICIDADE, então, VIVA 94! Vva o "É TETRA!", do mala do G.B.
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